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sábado, 14 de novembro de 2015

Poemas de João Ubaldo





                                                                          Poesia não dá camisa

No mundo todo, os poetas são geralmente  professores universitários, bibliotecários, enfim, exercem outras profissões porque a poesia não costuma dar camisa a ninguém.


Atrocidades

Enquanto estamos aqui convivendo pacificamente agora, tem alguém estrangulando alguém. Vivemos fazendo esse tipo de coisa e não aprendemos nada. No curso na história humana, continuamos a repetir as mesmas atrocidades, muitas delas de maneira mais refinada.


Anjo da guarda

Meu anjo da guarda me segurou. Ele chama Pepe. Não devia divulgar, na Bahia não se revela o nome do anjo da guarda.



Reflexão do Dia


                                                                                                                 João Ubaldo

"Não, chega de baixo astral. Hoje não vou reclamar de nada, nem criticar o que quer que seja. Cansa um pouco, esse negócio de falar sempre em ladroagem, safadagem, malandragem e pilantragem, para não mencionar outros membros da numerosa e expressiva família. Agem. Correndo o risco de desagradar algumas das minhas coroas da Ataulfo de Paiva - as meninas que sempre me exortam a descer o malho "neles" e me brandem sombrinhas quando eu não faço - vou mudar de foco, nem que seja uma vezinha só".

Obras de João Ubaldo






                                                     




















Biografia de João Ubaldo






João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941, na casa de seu avô materno, à Rua do Canal, número um, filho primogênito de Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro. O casal teria mais dois filhos: Sonia Maria e Manoel. Ao completar dois meses de idade, João muda-se com a família para Aracajú, SE, onde passaria a infância.
Em 1947 inicia seus estudos com um professor particular. Seu pai, professor e político, segundo o biografado, não suportava ter um filho analfabeto em casa. Já alfabetizado, em 1948 ingressa no Instituto Ipiranga. A partir daí permaneceria horas trancado na biblioteca de sua casa devorando livros infantis, sobretudo os de Monteiro Lobato. Forçado por seu austero pai, iria se dedicar com afinco aos estudos, procurando ser sempre o primeiro da classe. Sobre essa fase de sua vida leia mais em "Memória de Livros", deliciosa crônica que consta de "Releituras".
No ano de 1951 ingressa no Colégio Estadual de Sergipe. Sempre dedicado aos estudos, prestava ao pai, diariamente, contas sobre os livros lidos, sendo, algumas vezes, solicitado a resumi-los e a traduzir alguns de seus trechos. João era também solicitado a verter para o português canções francesas que o pai ouvia. Não tinha folga nem nas férias, pois nelas praticava o latim e copiava os sermões do padre Vieira, apesar de afirmar que fazia aquilo com prazer. Manoel Ribeiro, seu pai, era chefe da Polícia Militar e, nessa época, passa a sofrer pressões políticas, o que o faz transferir-se com a família para Salvador. Na capital baiana João Ubaldo é matriculado no Colégio Sofia Costa Pinto. Conta ele que era perseguido pela professora de inglês, em virtude de seu sotaque. "Ela não percebeu que eu falava inglês britânico, já que estudara em Sergipe com um professor educado na Escócia", diz o escritor. Desafiado, dedica empenho extraordinário ao idioma, chegando a decorar 50 palavras por dia. Vizinho de engenheiros americanos, faz amizade com seus filhos para aprimorar ainda mais seus conhecimentos da língua inglesa.
João Ubaldo tem varias obras como “Josefina”,” Decalião”, “O Campeão”, “Setembro não faz sentido” e várias outras,
  

Reflexão do dia

 “Um poema não conseguirá mudar o mundo,
 mas pode tocar um leitor, 
pode tornar alguém mais sensível, 
mais humano”.
                                                                                        Lidiane Nunes

Poema de Lidiane Nunes

                   Sonhos

Apesar de ser cativa
do sono,
nunca dormi bem.
Sempre acordei
em meio a histórias
incompletas.

Embora repleta
de sonhos de voo,
nunca tive pretensões
a borboleta.
Sempre fui menina
que se sabia rasteira:
inseto sem asas.

E mesmo querendo chegar
em casa,
nunca criei ilusões
de caminhos sem pedras.
Sempre fui aquela
que seguia estradas,
consciente
dos espinhos.


Poema de Lidiane Nunes

Lua

Fico triste
Quando contemplo o céu
e confundo as fases
daquela que a escuridão
ilumina.

Então, vem a razão
e me pergunta:
que importância tem isso?

O dia sempre termina.