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domingo, 15 de novembro de 2015

Poesia de Cleberton Santos

AMOR

O vestido preto
está dançando na esquina.
O amor é uma festa
mesmo em dia de luto.

                                      Lucidez Silenciosa

Poesia de cleberton Santos


MINOTAURO

Na casa de Asterion 
mitos e belas donzelas tramam 
contra o Amor.


Esfaqueado, Teseu perambula entre
as muralhas,
inutilmente lúcido.

                                                                          Lucidez silenciosa

sábado, 14 de novembro de 2015

Poemas de João Ubaldo





                                                                          Poesia não dá camisa

No mundo todo, os poetas são geralmente  professores universitários, bibliotecários, enfim, exercem outras profissões porque a poesia não costuma dar camisa a ninguém.


Atrocidades

Enquanto estamos aqui convivendo pacificamente agora, tem alguém estrangulando alguém. Vivemos fazendo esse tipo de coisa e não aprendemos nada. No curso na história humana, continuamos a repetir as mesmas atrocidades, muitas delas de maneira mais refinada.


Anjo da guarda

Meu anjo da guarda me segurou. Ele chama Pepe. Não devia divulgar, na Bahia não se revela o nome do anjo da guarda.



Reflexão do Dia


                                                                                                                 João Ubaldo

"Não, chega de baixo astral. Hoje não vou reclamar de nada, nem criticar o que quer que seja. Cansa um pouco, esse negócio de falar sempre em ladroagem, safadagem, malandragem e pilantragem, para não mencionar outros membros da numerosa e expressiva família. Agem. Correndo o risco de desagradar algumas das minhas coroas da Ataulfo de Paiva - as meninas que sempre me exortam a descer o malho "neles" e me brandem sombrinhas quando eu não faço - vou mudar de foco, nem que seja uma vezinha só".

Reflexão do dia

 “Um poema não conseguirá mudar o mundo,
 mas pode tocar um leitor, 
pode tornar alguém mais sensível, 
mais humano”.
                                                                                        Lidiane Nunes

Poema de Lidiane Nunes

                   Sonhos

Apesar de ser cativa
do sono,
nunca dormi bem.
Sempre acordei
em meio a histórias
incompletas.

Embora repleta
de sonhos de voo,
nunca tive pretensões
a borboleta.
Sempre fui menina
que se sabia rasteira:
inseto sem asas.

E mesmo querendo chegar
em casa,
nunca criei ilusões
de caminhos sem pedras.
Sempre fui aquela
que seguia estradas,
consciente
dos espinhos.


Poema de Lidiane Nunes

Lua

Fico triste
Quando contemplo o céu
e confundo as fases
daquela que a escuridão
ilumina.

Então, vem a razão
e me pergunta:
que importância tem isso?

O dia sempre termina.

Poema de Lidiane Nunes

             ANIVERSÁRIO


A família toda reunida,
amigos, presentes, abraços,
desejos de felicidade.

A vida inteira pela frente.

E aquela dor insistente

atravessando o peito.

Poemas de Lidiane Nune

MITO



Há muito, vi a luz.
E o mundo a mim se apresentou
bem mais real
do que apenas sombras
nas paredes.
Senti uma enorme sede
da inocência
que um dia perdi.
E, hoje, só quero voltar á escuridão,

á caverna, em que nasci.

O grito do mar na noite - Trechos do posfácio de Mayrant Gallo


"Conhecedor e usuário deste mundo ‘suprafísico’, rarefeito a extremo, Mirdad projetou seus contos como se desejasse – e isso é um julgamento meu, bem pessoal, e que em nada depõe contra o autor e seus leitores –, ao mesmo tempo, reproduzi-lo e ironizá-lo. Não foi o primeiro a fazer isso, nem será o último. O que importa é o que ele obteve, tanto para o deleite quanto para o mal-estar do leitor, afinal de contas o ‘efeito de estranhamento’, se nem sempre é bem recebido (Alain Resnais é a prova, com seuAno passado em Marienbad), contribui e muito para a perpetuação e propagação da obra de arte. E não se pode deixar de lado o método do autor, que, a exemplo de Poe no conto e de Baudelaire na poesia, busca estruturar sua narrativa no intento de, ao fim, surpreender ou socar tanto seus leitores quanto seus personagens.”


“Cada conto de Mirdad aqui é uma nova proposta extraída de um propósito único: retratar o nosso mundo. Cada conto é uma fotografia de um álbum espúrio. E ele o constrói com tamanho êxito, que chego a temer que, por isso, seu livro acabe rotulado. Mas acho que não, pelo contrário: se no futuro, alguém necessitar saber como era a vida neste início de século XXI, espécie de Belle Époque de la Technologie, deverá forçosamente ir aos documentos, entre os quais a literatura é um dos mais poderosos, por sua singularidade autoral, e, encontrando O grito do mar na noite, achará a própria vida daquela ‘nossa presente época’, pulsando como um coração imortal.”

Mayrant Gallo - O grito do mar na noite

Trechos do Livro Os Encantos do Sol

"Sob a chuva, os trens exalavam melancolia, um ar de exílio, de derrota. A insensibilidade dos homens, aferrados somente àquilo que oferece lucro, que os faz mais ricos ainda que piores, reduzira os trens àquele nível. Um dia, não houve mais pontos a ligar ou nenhum motivo rentável para fazer isso, e um magnata qualquer, aos brados ou arrotos, proferiu a sentença. E ali estavam eles, toneladas de ferro e aço, condenados, esquecidos, imóveis como túmulos"


"Não há felicidade sobre a Terra senão por um tempo, uns míseros segundos... Aliás, o estar feliz já é um desespero. Não se prolonga, não se perpetua. Estará sempre por um triz. E é isso que nos faz procurar, atentar para as outras vidas à nossa volta. Uma busca que é tão utópica quanto insensata. E não poderia ser de outra forma"

Mayrant Gallo - Os Encantos do Sol

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Reflexão do dia

A Jesus Cristo Nosso Senhor”


Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque, quanto mais tenho delinqüido,
Vós tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Matos

Reflexão do dia

Inconstância das coisas do mundo!

Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas
tristezas e alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a
firmeza,
Na formosura não se dê
constância,
E na alegria sinta-se a
tristeza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na
inconstância.









































segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Igor Rossoni



Reflexão do dia

Esperança

Soubesse que voltaria. Teria deixado mesa pronta,
Brisa em tranca, cheiro de alfazema no ar.
Gilete repousaria distante
Serena no estojo de metal


Igor Rossoni- Entredentes

Reflexão do dia


Flores

Conheceu Camila num programa de auditório. Faziam-se um só.
Mesmo gosto por chocolate. Mesmo timeno coração
Coisa-que-só vendo.
Vinha que veio o sol. Chuva. Filho. Câncer
As flores chegaram depois
Bem depois da hora encarnada.


Igor Rossoni- Entredentes

sábado, 7 de novembro de 2015

Reflexão do dia


"A vida sempre vence a vida
mesmo no intervalo da frase
febre que conspira contra o presente
palco para o pensamento mais físico
o afeto mais íntimo
a respiração mais ríspida
a experiência brutal
nos braços delicados da realidade."

Livro-Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos, Sandro Ornellas.

Reflexão do dia


"Me descubro e me assusto
Metade cheio de nada, metade vazio de tudo
quando gritam atalhos do corpo
o medo é maior que a voz do vulcão."

Livro-Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos, Sandro Ornellas 

Poema

Dança


ziguezagueio ruas esquinas
corpo vazado               gestos de vento
entreato               agora imediato
torpor de risos               e rosto
repleto de amanheceres e ombros nus
livre dos escombros
                                       coreografo o acaso
e uma dança é uma dança é uma dança é uma dança
um rodopio no ar               os pés em desatino
um infinito ensaio em vida
giro assim meus dias               um solo um salto             
sendo eu o estrépito               meio acrobático
sendo eu o estrépito desconhecido
a rondar por perto de tudo

Sandro Ornellas - Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos

Poema


INSIGHTS & EPIFANIAS


Debaixo de tudo         vestidos de nada
Restamos após a luta         pele, suor, sangue
Belo embaralho de peitos e pernas      corpos sobre corpos
A matéria do desejo impressa na respiração
Revoluteando sobre si mesma    sobre um outro  incomensurável
Já teima em ocupar espaço demais    esgotado do gosto alheio
E ainda assim ansiando insights & epifanias
Não mais as mesmas          sim outras que não cabem em si
De tanto movimento   um sobre o outro                  um e outro
Sobressaltados os dois no mesmo delírio instantâneo
Desferindo golpes      talhando um amor á flor da pele.

Sandro Ornellas - Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos