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sábado, 7 de novembro de 2015

Reflexão do dia

Canção Matinal

Acorda bem cedo o homem
da casa de telha-vã
e abre janela e porta
como se abrisse a manhã.

E eis que a vida não é mate
nem triste, nem só, nem vã.
É doce: cheira a goiaba
e brilha como romã

orvalhada. E ele caminha,
o homem, com passos de lã
para em nada perturbar
a quietude da manhã.

Já não há mágoas de perdas
nem angústias de amanhã,
pois a alma que há na calma
entre a goiaba e a romã

é a própria alma do homem
da casa de telha-vã,
que declara a noite morta
e acende em si a manhã.





Ruy Espinheira- Elegia de Agosto e Outros poemas

Reflexão do dia

A INELUTÁVEL CANÇÃO

Há pouco chovia
e nato chove mais.
Há pouco sorria,
na lua do espelho,
teu corpo; centelha
deflagrando anjos
que a tarde soprava
por sobre os quintais.

Há pouco esplendia
ao sol o regato.
Esplendia e ia
entre os nossos sonhos,
pelos nossos corpos,
atiçando mais
a flama dos sexos
em flor nos quintais.

Há pouco era dia
e já não é mais!
Faz escuro e ouvimos
um silêncio fundo.
Um silêncio podre
que sobe de nós
e das sombras dos
extintos quintais.




Ruy Espinheira- As sombras luminosas

Obras- Ruy Espinheira Filho













Biografia- Ruy Espinheira Filho


Ruy Espinheira Filho



Ruy Alberto D'Assis Espinheira Filho, nasceu em Salvador(BA) no dia 12 de dezembro de 1942 e passou a infância em Poções e a adolescência em Jequié, onde fez os primeiros estudos. De volta a Salvador em 1961, retoma os estudos para fazer o curso clássico no Colégio Central da Bahia. Seus primeiros contatos com os poetas da terra vêm desta época, quando, levado por Paulo Affonso Manta, amigo desde Poções, “ingressou no grupo boêmio capitaneado por Carlos Anísio Melhor”.
Da geração que se destaca nos anos 60, Ruy Espinheira Filho publica os primeiros poemas na revista de Antônio Brasileiro, Serial, mas vai se dedicar também à crônica jornalística diária na Tribuna da Bahia. No jornal trabalha também como copidesque e editor. Do primeiro jornal passa para o Jornal da Bahia, ainda como cronista. O curso superior, Ciências Sociais, será feito na Universidade Federal da Bahia, onde se torna professor adjunto do Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras.
Os livros de poesia de Ruy Espinheira Filho começam a sair em 1974, Heléboro, e na década publica mais julgado do vento, de 1979. Com o Prêmio Nacional de Poesia Cruz e Sousa, de Santa Catarina, co o terceiro livro de poesia, As sombras Luminosas, editado em 1981, o poeta torna-se um nome mais conhecido nacionalmente. Outros livros serão publicados no eixo Rio de Janeiro/São Paulo, ampliando a recepção do poeta.:Morte secreta e poesia anterior, de 1984: A canção de Beatriz e outros poemas, de 1990; Memória da chuva, de 1996.
No mesmo ano uma Antologia poética lançada em Salvador, onde o poeta está de corpo inteiro ,mostrando toda a riqueza de seus recursos formais, que vão do soneto, como domínio absoluto na sua variação moderna, ao verso livre, que também exercita com conhecimento de causa. Muitos já se referiram ao “ eu lírico” de Ruy Espinheira Filho, que se apresenta com matrizes da memória, que são o substrato e o suporte da sua inventiva linguagem.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Reflexão do dia

 Misantropia II


Escondo-me do sol,
do jornal do dia e dos homens
para que a solidão corrompa de vez
com essa vontade de ser como os outros.


                                                                   Livro Antologia Poética, Iderval Miranda

Iderval Miranda

                                Biografia

          Iderval Miranda nasceu em Feira de Santana (BA), em 17 de novembro de 1949. Formado em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana. É mestre em Linguística pela Universidade de Brasília e professor da UEFS. Participou das publicações das revistas  Hera, Serial, Atos, Aldeia, Tapume e o Lixo, entre outras.





            




Autor de Taça de tule (1974), Então (1972/2012), Festa e funeral (1982), O azul e o nada (1987), O veneno e sua essência (1991) e Oficina estrela (1985-2008). Integrou a coletânea de poetas baianos Oitenta(1996) e a antologia A poesia baiana no século XX (1999), organizada por Assis Brasil. Citado na Enciclopédia de literatura brasileira (1990), organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa. Resenhado por Paulo de Tarso Jardim, naRevista de poesia e crítica (1983), e Sérgio Rubens Sossélla, nas revistas O regional (1982) e Panorama (1984).


                                             

                                                Breve Metafísica

                                                                              Iderval Miranda
                     Já não me bastam as pequenas fantasias,
                     Os volúveis sonhos, as noites de desespero.

                                           Diante de mim,
                              O deserto da grande espera
                           E o infindável horizonte do nada.

                                       Assim caminharei,
                            Por sobre pedras e espinhos,
                            Buscando em carne e espírito
                            O que foi sem nunca ter sido.

                                      

                                                 A Rosa
                                                                                  Iderval Miranda
                               A rosa é uma câmara de tortura
                                         pois cada espinho
                                      é uma gota de sangue
                            que escorre dos dedos convulsos.
                       Dia haverá em que a rosa será uma rosa
                                                uma rosa
                                                 uma flor
                                     não mais que uma flor
                                      e dos dedos calmos
                        somente escorrerão gotas de suor.




Reflexão do dia

     "Não é bom Construir prisões do passado, já é tempo de parar de sonhar. Precisa parar com aquela mania de querer ser algo que o tempo já engoliu, irremediavelmente."

Citação do conto de Carlos Ribeiro,"Uma curta história".